Capítulo 1 – A morte

Não!

Ela não podia morrer e me deixar sozinha. É minha mãe, meu alicerce. O luto há de ter fim? E como vou viver neste casarão sozinha? Preciso me mudar o quanto antes. Bem, nunca deixei de trabalhar e não será dessa vez. Minha mamãe não gostaria de me ver um dia longe da agência. Sinto que devo enxugar as lágrimas e conhecer o novo cliente. Dizem que é promissor, homem de negócios. Talvez eu consiga crescer ainda mais a minha empreitada.

Fui à cafeteria e comprei um café gelado para viagem. Corri como nos filmes americanos, só que com um café bem melhor, pois é brasileiro. Peguei o meu carro e segui para a agência. Foi quando vi o tal homem. Bonitinho, arrumadinho, deve ser um cliente em potencial. E que potencial.

— Olá, você deve ser a funcionária da agência, poderia me dizer onde está o dono?

— Como assim?

Eu não podia acreditar! Era um machistão. Um machista daqueles! Como ele pôde supor que o dono é um homem?

— Oras, eu marquei de conversar com o dono da agência, não com uma moça… bem, bela, mas uma moça.

— Bem, fico feliz em descobrir que as agências de marketing já existiam no século XIX. — Respondi com um riso irônico. — Venha, vamos até a minha sala.

— Não estou entendendo, mas achei a senhorita muito petulante.

— Gostei do vocabulário rebuscado, mas eu te explico: sou a dona.

— Você? A dona?

Ele está me surpreendendo negativamente. Mas preciso ser profissional e parar de dar patadas.

— Me acompanhe, por favor. Gostaria de um café?

— Seria interessante.

— Ótimo, gosto de preparar o meu.

— Não há uma equipe para fazer isso?

— Bem, eu sou muito exigente com o meu café por aqui, então preparo ou trago da rua.

— Certo. Já pode ser esposa.

Ele só pode estar brincando.

— Bem, a que veio?

— Gostaria de uma equipe de marketing para a minha empresa e me disseram que essa era a melhor agência da região, apesar do pouco tempo de estrada.

— Sim, nós temos um trabalho diferenciado e focado nas redes sociais, na identidade visual e em tudo que necessitar.

— Bem, quero tudo, tudo mesmo.

— Então você quer o orçamento completo?

— Sim, pegue o meu telefone e vou convidá-la para jantar, assim conversaremos sobre os negócios.

Negócios. Sei.

— Parece adequado, obrigada.

Não era nada adequado, mas eu precisava desse cliente. Seria o meu melhor cliente em 6 meses.

— Te vejo em breve, Amanda.

— Espera, qual é o seu nome?

— Amor da sua vida.

Respirei. Pensei em dizer que sou profissional e não dona de um cabaré. Mas talvez fosse bom ele se apaixonar por mim, certamente fecharia negócio para me ver mais vezes.

— Até mais, engraçadinho.

Até que ele tinha um charme.